quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Razões por que não vou à manifestação de 19 de Setembro. Um texto de José JM
1. No final do ano lectivo transacto, os sindicatos de professores deram a entender que haveria uma nova grande manifestação de docentes, logo no início do ano lectivo, provavelmente em Setembro. Isto é um facto.
2. Após o término do ano lectivo, os docentes entraram de férias. Isto é um facto.
3. No início deste ano lectivo, movimentos independentes de professores anunciaram a realização de uma manifestação por si organizada, com objectivos em tudo semelhantes às das anteriores manifestações. Isto é um facto
.4. Depois de um período de férias, é suposto que qualquer pessoa, docente ou não, esteja um pouco mais descontraída, não preparada ou não motivada para grandes intervenções reivindicativas, designadamente envolvendo grandes intervenções contestatárias, grandes protestos. O corpo pede; a alma, também. No que toca à classe docente, é normal que, calma e serenamente, se dêem início às actividades preparatórias de novo ano lectivo.A primeira parte é uma opinião. A segunda é um facto.
5. Tentar “arrastar” os docentes para novas intervenções políticas, públicas, de natureza “guerreira” sob forma de manifestação em período preparatório de um acto eleitoral, pode ser uma estratégia de “tiro no pé” para a classe docente, perante uma opinião pública desinteressada do problema, também saída de férias e a braços com os problemas inerentes ao arranque da actividade produtiva e/ou dificuldades várias, relacionadas com o início das actividades escolares dos filhos, esperançosa de que tudo corra bem para os seus rebentos.Facto e opinião.
6. Os sindicatos têm a sua agenda de intervenção; os movimentos e os blogues terão a sua. O ideal é que se cruze e convirjam num ponto. Sem a mobilização realizada, conduzida e concertada por sindicatos, qualquer manifestação assente na iniciativa dos movimentos, corre um grande risco de se transformar num fiasco.Facto e opinião.
7. Os movimentos sobressaem, ganham força, vitalidade e influência, quando potenciados pela força aglutinadora dos sindicatos, embora possam disso não ter consciência. Sem a força que os sindicatos afirmam, porque lhes é outorgada e transmitida pela classe docente, esfuma-se o poder mobilizador dos movimentos.Esta é uma opinião.
8. Quanto a mim, os sindicatos estão a agir correctamente e de acordo com os interesses de quem representam. Sabem que a realização de uma grande manifestação, agora, pode não vir a ser tão grande quanto isso, o que enfraqueceria a “nossa” posição e daria “razões”de vitória a um governo em fim de vida; sabem que podia ser mal vista pela colectividade; sabem que não será o melhor momento para intervir e mobilizar.Facto e opinião.
9. É estratégia inteligente aproveitar a revolta, quando e onde ela existe e daí, partir para algo e com alma. Ao contrário, parece-me importante que não se avance desapoiado, de forma voluntariosa, correndo o risco de gerar descontentamento, divisão, desmobilização, recuo nas posições, até agora, alcançadas.Esta é uma opinião.
10. Os movimentos independentes, querendo afirmar a defesa das reivindicações da classe docente (facto) deixam-me na dúvida se não pretenderão, também, subtrair algum protagonismo e influência aos sindicatos, porque sendo estes mais fortes, já isso fizeram no passado recente.Facto e opinião.
11. De qualquer modo e felizmente, se esta manifestação reunir pouca gente, o que é previsível, ninguém se poderá aproveitar para tentar mostrar que, afinal, os docentes até já estão satisfeitos, já que pouco se deixaram mobilizar. Cada tem a força que tem. E os movimentos não terão muita. Ver-se-á.Facto e opinião.
12. Penso também que será no próximo acto eleitoral que tudo se irá resolver. E se o PS perder, os principais problemas com que se têm debatido os docentes poderão vir a ser ultrapassados. Caso Sócrates vença, poderemos entrar numa espiral cujo fim não se vislumbra. Opinião.
13. Não irei à próxima manifestação e não votarei PS. E votarei em quem, na minha área de residência eleitoral melhor se posicionar para derrubar o PS.
14. Contrariamente ao que possa parecer não sou sindicalizado. Apenas, porque penso, tento encontrar caminhos que, de preferência, me conduzam a algum lugar.
15. Também sei que não há factos brutos, mas interpretações de factos, sendo que estes são construídos. Só para dizer que, se calhar, tudo o que foi expresso, não passa de opiniões. Que “pensam mal e podem querer transformar necessidades em conhecimentos”.Isto é um “facto”…
Comentário meu:
A Fenprof referiu a contestação no 1º período
Este colega devia ser sindicalizado e participar activamente.
Etiquetas:
Manifestações,
renvidicação
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1 comentários:
PARECE-ME INCOERENTE, COLEGA!
ABRAÇO DE LUSIBERO
BEIJO PARA TI, ISABEL.
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