Sábado, 4 de Abril de 2009

FAZ HOJE 17 ANOS QUE MORREU SALGUEIRO MAIA





Faz hoje 17 anos que morreu Salgueiro Maia.

Evocar Salgueiro Maia ajuda a combater quem se julga em plano superior e entende ser impossível e intolerável a convivência entre diferentes de pensamento, entre diversos, mesmo que opostos, e que possivelmente teriam sido capazes de ter fuzilado o poder cessante em vez de o exilar se tivessem tido a coragem de o (ao poder demitido) enfrentar.

Evocar Salgueiro Maia é apelar à participação nos actos eleitorais que aí vêm, é justificar a sua realização, é apelar à resistência e à valentia, ao combate ao pensamento único e é fundamentar a ideia de que a democracia se constrói com todos por igual – um ser humano, um voto -, independentemente do estado a que as coisas chegaram.


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E DEPOIS, O ADEUS




Naquele dia do princípio de Abril de 1992, no cemitério de Castelo de Vide, quatro presidentes da República (António de Spínola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares), vêem descer à terra num modesto caixão o corpo de um dos homens que mais contribuiu para que tivessem podido ascender à mais alta magistratura da Nação. No dia 4, Fernando Salgueiro Maia fora vencido pela doença. «O gajo ganhou», dissera ele a um oficial da EPC, referindo-se ao cancro quando se convenceu do carácter terminal da sua doença.

Quem é este homem, vencedor de batalhas, de revoluções, que agora desce à terra, em campa rasa, ao som do «Grândola, Vila Morena»?

Nasce ali, em Castelo de Vide, em 1 de Julho de 1944. Muito novo, fica órfão de mãe. Faz os estudos primários em São Torcato, Coruche, e os secundários no Colégio Nun'Álvares de Tomar e no Liceu Nacional de Leiria. Em 1964, ingressa na Academia Militar.

«Filho de uma família de ferroviários, é a situação de guerra nas colónias que me permite o acesso à Academia Militar, pois o conflito fez perder as vocações habituais, e assim a instituição foi obrigada a abrir as suas portas», diz-nos ele em «Capitão de Abril». Dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria. Depois, a guerra.

Porém, tudo se pode resumir a uma breve legenda: Salgueiro Maia, soldado português que à frente de 240 homens e com dez carros de combate da EPC avançou em 25 de Abril de 1974 sobre Lisboa, ocupou o Terreiro do Paço levando os ministros de um regime ditatorial de quase 50 anos a fugir como coelhos assustados, cercou o Quartel do Carmo obrigando Marcelo Caetano a render-se e a demitir-se. Atingiu o posto de tenente-coronel, recusou cargos de poder. É o mais puro símbolo da coragem e da generosidade dos capitães de Abril.

E quase tudo terá ficado dito.


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2 comentários:

Capitão Rebordelo disse...

99,99% dos Portugueses e, principalmente, dos profissionais da política ainda não compreenderam o verdadeiro significado do MFA em 25 de Abril de 1974. Mesmo na família castrense o desvirtuar intencional ou negligente dessa filosofia de estar na vida é minimizada.
Excepções: Salgueiro Maia; Vasco Lourenço; Melo Antunes; Otelo Carvalho; etc.
Para os Governantes a glorificação dos mortos é que é uma virtude. Cavaco Silva, enquanto PM glorificou os agentes da PIDE vivos e negou a Salgueiro Maia todas as honras devidas a um Humilde Herói Nacional. Sócrates resolveu imitar Cavaco e numa de cumplicidade, no estretor da morte, promoveram um dos inimigos de SM.

Isamar disse...

Salgueiro Maia é /foi um dos grandes capitães de Abril.Relembrar este homem,tão simples e tão grande, é uma obrigação de todos nós.
Bem-haja, por tê-lo feito.

Um abraço