Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

EU FUI A LISBOA ABRAÇAR-TE








Retirei este texto da página da Indymédia. Vale a pena ler.
Eu fui a Lisboa abraçar-te
A ordem perturba mais do que a desordem.
Quem quiser ver, a democracia está aí: converteu a política, toda a política, no confronto com a polícia.
A política é hoje tudo aquilo que escapa ao sistema político-partidário. E contra o que escapa ao sistema político-partidário, a mentira da democracia chama a polícia.
Desta vez, não foram apenas os sitiados pelo controlo social e político – exercido pelo Estado em nome da falsa democracia – que sentiram na pele a repressão exercida pelo aparato da polícia-exército: alguns jornalistas, curiosos, transeuntes, imigrantes, ficaram espantados. Um carioca, ao entrar no Rossio às 18h da tarde ficou mudo e gelado: pensou que tinha regressado ao Morro Formiga na favela da Tijuca.
Mas a falsa democracia é por demais previsível: o ataque preventivo começou cedo. Ataque preventivo na rua, em Lisboa, ataque preventivo nos/dos Media com a série policial black block, ataque preventivo nas fronteiras. Assim desvia a falsidade da sua essência, assim limpa a ferocidade do seu Estado-Guerra: cercar o mal, isolar o desordeiro, o violento, o vândalo, os palhaços, os filhos-da-P***.
Mas se o Estado é cada vez mais guerra e cada vez mais previsível, o que dizer do PCP?
O meu avô e o meu pai foram/são comunistas. O meu avô foi preso, torturado, na prisão tentou suicidar-se para não ceder à tortura, para não ceder à violência: quis ceder a vida para não ceder a liberdade. Teve 7 dias em coma, tantos quanto os dias que ficou sob tortura do sono – a mesma tortura, entre tantas outras, que a NATO infligiu e inflige aos prisioneiros de guerra do Afeganistão e Iraque com o beneplácito do Estado português. Ao fim de 7 dias de tortura do sono, num rebate de lucidez, atirou-se a pique e de cabeça do vão das escadas do 4ª andar da prisão de Coimbra.
O meu pai, deu metade da vida pelo “partido”. Acumulou cólera e raiva, cortes nos direitos sociais e degradação da democracia. (A única coisa que ganhou foi, isso sim, o movimento de base e habitacional cooperativo que ajudou a fundar com sucesso). Acumulou mais cólera e raiva do que aquela que eu tenho.
O PCP é uma linha de comando de controlo da raiva e da cólera?
Nenhuma outra estrutura/movimento político e social no país é um “black block” em potência além do PCP.
Se a voz de comando disse-se: ocupem as fábricas, ponham cadeados nos portões, não deixem sair os camiões, o país parava. O PCP não tem de o fazer, só a ele lhe cabe essa responsabilidade, ou melhor, ao seu comité. Mas para achar a nossa responsabilidade em tudo o que fazemos, temos sempre que confrontar aquilo que realmente fazemos com as possibilidades do que poderíamos fazer e não fazemos. Nessa diferença, podemos achar a nossa irresponsabilidade.
Pergunto – não à voz de comando, aquele que declara à Lusa (Fonte: TVI) que as pessoas que foram impedidas de entrar no protesto «não pediram antecipadamente para fazer parte do corpo principal da manifestação»; ou ainda, citando a reportagem assinada no JN por Catarina Cruz, Carlos Varela e Gina Pereira, “o único caso de maior preocupação deu-se, a meio da tarde, quando um grupo não organizado foi cercado pelo Corpo de Intervenção da PSP, junto ao Marquês de Pombal. A intervenção policial deu-se a pedido dos organizadores da manifestação que perceberam que mais de 100 pessoas iam integrar o protesto. A polícia, fortemente armada, cercou o grupo na cauda do cortejo” –, pergunto a tantos comunistas e simpatizantes do PCP (e já agora aos outros movimentos partidários que a integravam) se têm o direito de impedir que um outro grupo de cidadãos exerça o mesmo direito que eles próprios gozaram no mesmo sítio, à mesma hora?
O que o PCP fez (ou a organização submetida à lógica centralista e autoritária do PCP) foi ilegal, ilegítimo e, sobretudo, um ultraje. E para fazer cumprir uma ilegalidade, chamou a polícia. E ditou-lhes: façam desta forma, cerquem esse grupo de cidadãos, ou seja, exerceu com eficácia o seu poder sobre as autoridades condicionando-as a agir fora da lei. Conseguiu o apartheid. Foi a peça que faltava no puzzle montado pelo circo do poder para legitimar mediaticamente a NATO, a sua cimeira, a sua máquina de guerra.
Foram três as entidades que montaram o circo mediático de legitimação da Cimeira da Nato: as altas-esferas políticas; a Polícia e os seus vários serviços; e os Media de Informação de Massa.
E o circo mediático tinha uma pedra-chave em todo processo de desvio da essência assassina da NATO e limpeza do sangue do seu cadastro criminal: os black block.
15 dias antes, começou-se a armar a tenda: telejornais transformados em séries policiais.
Os black block seriam a pedra-chave para montar o cerco, para apontar o adversário, para legitimar a repressão. Bastaria um carro a arder ou uma montra partida e, passe de mágica, o espectador lá de casa pensaria: de facto, os gajos da NATO até têm razão, estes tipos anti-Nato são uns arruaceiros. E todos os manifestantes passariam a ser arruaceiros e os senhores da Guerra uma espécie de caritas global d’ ajuda ao outro!
Mas desta vez, a tripla entente (Estado-Guerra, polícia e Media) não precisou de polícia infiltrada a partir as montras, para isolar o adversário, para desviar a atenção dos 35 mil mortos civis afegãos, os torturados, o horror, o ódio, o terror espalhado pela NATO. Tinham a voz de comando do PCP: a farsa dos B.B (barbies big-brother), a psicose colectiva instigada na TV por Estado-Guerra, Polícia e Media, passava a ter a sua realidade na manifestação contra a cimeira da Nato.
Nessa lógica, o PCP integrou a lógica do Estado: primeiro, limitou a sua actividade de protesto à legitimidade imposta pelo Estado da falsa democracia, como sempre tem feito (uma greve geral em 22 anos é uma espécie de suicídio assistido pelo capitalismo…), depois impedem um grupo de pessoas de juntar-se a uma só voz contra a Guerra, contra a NATO.
Cerquem esse grupo, cacem-nos, porque a democracia está em perigo!
E cercados que estávamos, passámos a ser o adversário, o arruaceiro, o vândalo, o criminoso que vem na TV. Nem uma pedra atirámos. O que o PCP e a polícia-exército fizeram foi fazer-me sentir, num par de horas, um palestino.
Num par de horas, a violência do cerco policial, converteu-nos em palestinos e palestinas (sem querer dramatizar, é apenas uma imagem, pois sei bem a diferença que vai entro um cerco num par de horas e um cerco total durante 3 gerações…). Nem sequer uma pedra atirámos. (Nem sequer aquelas garrafas d’água que se esborracharam no Vital Moreira… talvez tivessem sido anarcas com credencial!!!!!!!!!).
Entre pacifistas, libertários, membros da PAGAN, anarquistas e outros tantos seres como eu sem serem “istas” de nada, ali estiveram demonstrando a sua não-violência num momento inusitado de demonstração da violência do Estado e de clara violação de dois direitos fundamentais, o direito à manifestação em qualquer espaço público sem prévia autorização e o direito à livre circulação no espaço público do território nacional (não nos esqueçamos que ao longo do percurso foi-nos sucessivamente negado o acesso livre ao território que a voz de comando determinou que não podíamos pisar). À nossa volta, acabava a falsa democracia… mas quando a (falsa) democracia chega tão longe…
Sitiados, com polícias que nos ladeavam enfileirados a um metro ou dois de distância uns dos outros, já não tínhamos mais nada senão o corpo. Caçados os direitos, era a sobrevivência do corpo. A liberdade de ser corpo. Nada mais. Não atirámos uma pedra.
Por isso, no fim, quando te abracei, sei que abracei outro corpo, tão vivo quanto o meu, só violência de lágrimas. Mais nada.
Temos de voltar a fazer amor com a liberdade ou a democracia deixará de existir.
Pelo estado de ruína da cidadania, pela crescente militarização da polícia, pelo estado de ódio e controlo social, os nossos filhos (aqueles que continuem a afirmar a liberdade com a vida) caminharão já não escoltados de cada lado por um polícia, mas por tanques de guerra. Então, seremos cada vez mais palestinos e palestinas, cada vez mais cercados, e o nosso corpo, para viver, vai ter de explodir.
Júlio do Carmo Gomes

Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

MANIFESTAÇÃO ANTI-NATO 20 DE NOVEMBRO (O GUETO DOS PERIGOSOS)

( )


Os "Donos da Avenida da Liberdade" deram ordens à Polícia para desfilarmos assim, tínhamos a Manifestação comunicada ao Governo Civil. Há Partidos Democráticos outros Não!!

ESPECTÁCULO CANTAR A LUTA DIA 24 DE NOVEMBRO

Sábado, 30 de Outubro de 2010

Autonomia sindical e as eleições





Com a chegada das eleições, muitos sindicatos são tomados pela “febre das urnas”, o que tende a levar a um distanciamento cada vez maior entre a direcção e a base da categoria – que tende a ser tratada como gado.

 Por Hugo Scabello de Mello [*]

Assim que o espectáculo eleitoral entra em cartaz, assistimos passivamente o desenrolar do mesmo roteiro de sempre: velhos e novos rostos sujam nossos espaços públicos com velhas promessas ocas, nos forçando a escolher como será a distribuição dos privilégios e poderes entre as diferentes facções mafiosas do actual cenário político. Lideranças comunitárias aderem às campanhas, grandes empresas as financiam, associações de bairro se enchem de faixas, e alguns trabalhadores cansados agitam bandeiras nas avenidas, enquanto outros distribuem panfletos; em todo lugar, e a todo momento, candidatos esmolam votos para seus números identificadores. E tudo isso – todos nós sabemos – sumirá, num passe de mágica, ao término de um punhado de meses: a interacção com o espectáculo da política parlamentar voltará a ser, para a grande maioria do povo, uma série de shows transmitidos pelos canais de televisão estatais (tevê senado, tevê câmara, tevê justiça, etc.), aos quais os jornais e revistas dão especial atenção. Com a redistribuição de cadeiras terminada, a oligarquia dos representantes retorna às frias, secas e distantes câmaras palacianas do planalto para continuarem seus vis jogos de poder e opressão.

Nosso mundo sindical não foge à regra, é igualmente tomado pela sazonal febre das urnas: os espaços de nossas sedes são usados para comícios eleitorais, showmícios, ou mesmo como base estratégica de candidaturas; congressos sindicais são usados como apoio para presidenciáveis, centrais sindicais apoiam e participam abertamente de campanhas eleitorais; revistas e jornais servem como veículos de propaganda, diversos sindicalistas anunciam suas candidaturas. Todo espaço sindical sofre constante ameaça de ser transformado num palanque eleitoral. Enfim, a estrutura sindical inteira do país, a qual deveria servir exclusivamente para defender os interesses das diversas categorias que constituem a classe trabalhadora, é colocada a serviço das camarilhas eleitorais. Inclusive, já tomamos essa sequência de cenas como normal e quotidiana – afinal de contas até nosso actual presidente, nosso patrão maior da política, fez seu nome no sindicalismo.

Contudo, quanto mais o fenómeno da parlamentarização/burocratização se dissemina pelo movimento sindical, mais seus males tornam-se realidade, e, portanto, ficam facilmente visíveis. Estes “efeitos colaterais” podem ser entendidos como consequências de duas contradições intrínsecas ao sindicalismo eleitoral: 1. os interesses particulares dos conluios eleitorais constantemente entram em conflito com os da categoria, e, de maneira geral, os sobrepõem; 2. O movimento sindical, assim como qualquer outro movimento social, constrói sua força política através da mobilização de massas, sendo assim, ele não deve, de maneira alguma, se tornar a extensão de um partido eleitoral – pois no universo de qualquer categoria de trabalhadores existem eleitores de diferentes partidos, ou mesmo de nenhum – e sindicato nenhum pode se dar ao luxo de contar apenas com eleitores simpatizantes duma determinada facção, sem pagar o preço de perder sua força política.

Quanto mais os trabalhadores são colocados em segundo plano, e seus interesses traídos incessantemente, menos estes se sentem representados por suas entidades (que de fato não o representam), menos vêem a luta colectiva como alternativa para melhora da situação da categoria e da classe como um todo, resultando numa busca de melhoria de vida através de saídas individuais (ascensão na hierarquia da empresa por exemplo). A consequência final do sindicalismo eleitoreiro é uma apatia despolitizadora da categoria em geral, um distanciamento cada vez maior da direcção à base da categoria – que tende a ser tratada como gado. Distância esta que, pouco a pouco, se transforma em repúdio.

Não por acaso o ápice de combatividade – e também da capacidade de mobilização – do sindicalismo CUTista fora nos anos oitenta, precisamente quando as ambições parlamentares das pessoas envolvidas na CUT/PT não passavam de sonhos longínquos. Durante esses anos, esta central conseguiu mobilizar diversas greves fortes e importantes. Mobilizou, até mesmo, greves gerais, as quais foram importantíssimas para a situação política nacional, e também para conquista de direitos para a classe trabalhadora. Nossa categoria, por exemplo, arrancou sua merecida jornada de trabalho de seis horas nessa época. Contudo, quanto mais o projecto CUT/PT se orientava para a conquista de espaço – e aceitação – dentro da instituição política da classe dominante (o Estado), mais os interesses da classe trabalhadora entravam em conflito com os interesses partidários. Até chegarmos aos dias actuais: como justificar, perante os interesses da categoria bancária, um calendário de “enrolação permanente” que se estende até depois do primeiro turno eleitoral? Isso sendo sabido que o momento imediatamente anterior ao eleitoral é estrategicamente benéfico aos trabalhadores e suas reivindicações; a eleição é um momento de vulnerabilidade para os poderosos, pois estes são forçados a evitarem atitudes antipopulares, ao custo de perderem votos e, consequentemente, assentos na máquina estatal.

A única explicação plausível para a nossa campanha salarial ser jogada para depois das eleições é a priorização dos interesses partidários em detrimento dos interesses dos trabalhadores bancários. Nossos dirigentes não querem: 1. correr o risco de que uma greve forte em instituições do governo federal venha a manchar a imagem da candidata deles à sucessão do trono brasiliense; 2. trabalhar numa campanha salarial no momento, pois, é nítido que estes preferem dedicar seu tempo às suas próprias candidaturas do que à defesa de nossos direitos trabalhista. Apesar disso, não devemos nos surpreender com esta postura das pessoas envolvidas na CUT/PT, já que, hoje, o interesse principal desse grupo tornou-se a manutenção de sua inserção na máquina estatal, isto é, manter os privilégios, o poder, e as mamatas, conferidos aos “iluminados” de Brasília.

Também não é por acaso que o auge do movimento sindical, em terras brasileiras, tenha se dado no primeiro quarto do século passado. Os nossos pioneiros sindicalistas, já nessa época, tinham consciência da importância da autonomia para a construção da força do movimento. E de fato este princípio permeou toda a malha de organizações de trabalhadores: estava presente nos documentos de sindicatos, federações e confederações. A força deste sindicalismo “sem rabo preso” fora demonstrada em diversas manifestações, greves (a primeira greve geral do Brasil fora deflagrada ainda em 1913, e já em 1917 outro importante movimento paredista estoura em nossas terras), e até mesmo numa desastrada, porém corajosa, tentativa de insurreição em 1918 no Rio de Janeiro. Os frutos colhidos pela classe advindos desse período intenso de luta abrangem todos os direitos trabalhistas, que futuramente serão concentrados e “oficializados” pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) – a jornada de trabalho de 8 horas, por exemplo, fora conquistada já em 1908 pelos trabalhadores da construção civil.

Entretanto, gostaria de deixar claro que meu esforço não é no sentido de glorificar de maneira mistificadora o passado brasileiro do movimento dos trabalhadores, mas sim de estudar os acertos e as limitações das diferentes propostas sindicais já tentadas na terra do pau-brasil, de maneira a termos um terreno sólido para edificarmos um novo sindicalismo capaz de superar a actual crise do movimento. Crise esta caracterizada pela burocratização, partidarização (subordinação do sindicalismo aos interesses eleitorais) e engessamento despótico da estrutura sindical, e que tem, como outra face da moeda, a apatia, a despolitização, e o repúdio ao sindicalismo.
Fora eleitoreiros dos sindicatos!

Sindicato é para lutar, não para eleger novos e velhos abutres de colarinho!
Bancários de base por um sindicalismo classista, autónomo e democrático!

[*] Militante da FASP [Federação Anarquista de São Paulo], OPA [Organização Popular Aymberê] e Bancários de Base.

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

PELA BLOGOSFERA "NOVO"



Novo na Blogosfera também posto por lá, espero com mais frequência pois o FB é "vira o disco e toca o mesmo" de uma melodia de encantar.
Até breve.

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

AVISO

DIREITO DE RESISTÊNCIA



Art.º 21 

Constituição da República Portuguesa




"Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública." 

Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

ANTÓNIO FEIO - Minha Sentida Homenagem

Ouviram Sras e Srs Portugueses "As Lutas nunca são Inglórias"!!!!!!!








Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Sr INGINHEIRO

Por muitos processos que se encerrem, porque não deixa de estar sob suspeita?


Porque é que a sua família vivia medianamente e depois que o Sr foi para o Governo passaram todos a viver bem?








Sábado, 3 de Julho de 2010

"O Analfabeto Político" - Bertolt Brecht



Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

BRINDEMOS MEU AMIGO

Décimo Oitavo Cálice

Quando até a literatura é estrangeira
Na regra dos noves fora mais antiga
É condição redobrada ser a primeira
A contar de quanto trauteio a cantiga
De ficar absorto a soletrá-la pertinaz
Já que o corpo por repouso tudo aceita
Incluindo ler, que só à mente deleita,
Seja a tarde longa e calma ou fugaz
Que sempre voará se no fazer apraz.

Medido o tempo por esta clepsidra
Onde cada segundo é uma frase lida
A pingar da pipeta do entendimento
Tece enredos quem só decepa a Hidra
Lhe sega as cabeças do medo à vida
Tira à serpente gigante o tormento
E lhe dá em troca o jeito sagaz melado
De um S com asas dito voo soletrado
E no sibilo de uma língua enrolado.

A primeira letra de um nome, portanto
Só anda repetido adiante, se avança
Revestido na aliança serena do canto
Em que o compasso é passo e balança
Braço dado fazendo do par a esperança
Deste Alentejo como um lamento cantado
Na sesta amena ao ritmo arado do beijo
Que é outro tanto do canto do S no desejo.

Boca a desenrolar-se é só mandorla da fé
Num zero que a cabala indica, mas que é
O seixo do ábaco se a unidade multiplica
Por dez, por cem, por mil e até o infinito
Estica, dando ao ver o que só se acredita
Existir, sendo esse anel o aro de espírito
Suficiente à matéria como forma de lente
Prà visão num oito alcançar o ponto fito
Que nunca é visto só pelo olhar da gente.

Quem já viu longe e para lá do horizonte
Que a eternidade tem por coisa tão certa
Como uma árvore, colina, rio, ou monte
Habitado por família unida, sã e desperta?
Então, esse sabe até reconhecer a aresta
Que há no distante Sol cuja seta acerta
Raio de alerta e sobre a alma o rio apresta
Ao tempo contínuo, sem fim, sólida ponte!


2010-07-01
Joaquim Castanho

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

Janis Joplin - The Rose

PORQUE NÃO GOSTO DE SARAMAGO

Porque nesta altura é politicamente correcto falar de Saramago aqui deixo um texto da sua autoria.
Eu não gosto de e do Saramago; Português iberista, maçónico, não quis pagar os seus impostos em Portugal, maltratou os seus camaradas não estalinistas no Diário de Notícias (fundamentalista), arrogante, frio, interesseiro e muito amigo do dinheiro.
Li alguns livros da sua autoria, não gostei do estilo cansativo, podem chamar-lhe talento, eu chamo-lhe estilo e mau.




As Palavras


 “As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem. As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam; são como carraças: vêm nos livros, nos jornais, nos slogans publicitários, nas legendas dos filmes, nas cartas e nos cartazes. As palavras aconselham, sugerem, insinuam, ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios de palavras que vivem em boa paz com as suas contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o contrário do que pensam, julgando pensar o que fazem. Há muitas palavras.
E há os discursos, que são palavras encostadas umas às outras, em equilíbrio instável graças a uma precária sintaxe, até ao prego final do Disse ou Tenho dito. Com discursos se comemora, se inaugura, se abrem e fecham sessões, se lançam cortinas de fumo ou dispõem bambinelas de veludo. São brindes, orações, palestras e conferências. Pelos discursos se transmitem louvores, agradecimentos, programas e fantasias. E depois as palavras dos discursos aparecem deitadas em papéis, são pintadas de tinta de impressão – e por essa via entram na imortalidade do Verbo. Ao lado de Sócrates , o presidente da junta afixa o discurso que abriu a torneira do marco fontanário. E as palavras escorrem, são fluidas como o «precioso líquido». Escorrem interminavelmente, alagam o chão, sobem aos joelhos, chegam à cintura, aos ombros, ao pescoço. É o dilúvio universal, um coro desafinado que jorra de milhões de bocas. A terra segue o seu caminho envolta num clamor de loucos, aos gritos, aos uivos, envolta também num murmúrio manso, represo e conciliador. Há de tudo no orfeão: tenores e tenorinos, baixos cantantes, sopranos de dó de peito fácil, barítonos enchumaçados, contraltos de voz suspensa. Nos intervalos, ouve-se o ponto. E tudo isto atordoa as estrelas e perturba as comunicações, como as tempestades solares.
Porque as palavras deixaram de comunicar. Cada palavra é dita para que não se oiça outra palavra. A palavra, mesmo quando não  afirma, afirma-se. A palavra não responde nem pergunta: amassa. A palavra é a erva fresca e verde que cobre os dentes do pântano. A palavra é poeira nos olhos e olhos furados. A palavra não mostra. A palavra disfarça.
Daí que seja urgente mondar as palavras para que a sementeira se mude em seara. Daí que as palavras sejam instrumento de morte – ou de salvação. Daí que a  palavra só valha o que valer o silêncio do acto.
Há também o silêncio. O silêncio, por definição, é o que não se ouve. O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa. O silêncio é fecundo. O silêncio é a terra negra e fértil, o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar. Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras. As palavras boas e as más. O trigo e o joio. Mas só o trigo dá pão”.

José Saramago, “As Palavras” in Deste Mundo e do Outro – Crónicas
Caminho - 1986

Domingo, 30 de Maio de 2010

Dizem os Sindicatos que eram 300 mil manifestantes, a Polícia não comenta. Eu acredito que sim!




Milhares de professores e educadores na grande manifestação nacional da CGTP-IN



Depois da concentração na Av. 5 de Outubro, junto ao Ministério da Educação, milhares de professores, oriundos de todos os pontos do País - Norte, Centro, Grande Lisboa, Sul, Açores e Madeira -,  deslocaram-se em direcção ao Marquês de Pombal, a fim de se juntarem à Administração Pública (que teve uma pré-concentração na esquina da Rua da Artilharia Um com a Rua Joaquim António Aguiar). Entretanto, nas Picoas, tinham-se concentrado os trabalhadores do sector privado. Assim, a partir do Marquês de Pombal a manifestação da CGTP-IN arrancou, em força, descendo a Avenida da Liberdade, rumo aos Restauradores. Uma manifestação histórica! Que mostra, com toda a clareza, que os trabalhadores portugueses não estão dispostos a ficar de braços cruzados perante as injustiças de uma política cega de PECs e de ataques aos cidadãos.




Participação dos “HOMENS DA LUTA”






Momento especial dos “HOMENS DA LUTA”









Terça-feira, 25 de Maio de 2010

SERÁ QUE É DESTA QUE O PRÉ-ESCOLAR VAI VER RECONHECIDO COMO 1ª ETAPA DO ENSINO BÁSICO?

Na Lei nº 5 de 1997, Lei de Bases da Educação Pré-Escolar, considera-a a 1ª Etapa do Ensino Básico e no normativo que lhe sucedeu recomenda a necessidade da sequencialidade  e articulação com o  1º Ciclo.


Os Ministros da Educação, a começar no David Justino,  nunca souberam ler estas normas e insistem em num calendário escolar diferente para o Pré-Escolar.


Não são mais 1 semana no Natal, na Páscoa e no Verão que resolvem o problema de apoio social e guarda que os Encarregados de Educação e/ou Pais necessitam, é exclusivamente uma EMBIRRAÇÃO COM UM GRUPO PROFISSIONAL!



Fenprof entrega 3ª feira petição no Parlamento a exigir calendário do pré-escolar igual ao do básico
A Fenprof entrega na terça-feira na Assembleia da República uma petição a exigir que o calendário do pré-escolar seja idêntico ao do ensino básico, permitindo a presença dos educadores de infância em actividades de avaliação e reuniões

Este ano, por exemplo, o ensino pré-escolar termina as suas actividades lectivas entre 05 e 09 de Julho, enquanto no ensino básico as aulas acabam a 18 de Junho, excepto no 9.º ano (dia 08), devido aos exames nacionais.
«O calendário escolar na educação pré-escolar deve ser semelhante ao do básico, de forma a permitir que se desenvolvam actividades de avaliação mas também para que os educadores possam participar nas reuniões que os agrupamentos desenvolvem com os restantes professores», disse à agência Lusa o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira.
O dirigente sindical alega ainda que a presença dos educadores de infância nas reuniões que se realizam no final de cada período também é «difícil», uma vez que nessas alturas estes docentes também estão obrigados a manter actividades lectivas.
«O que é ainda mais absurdo porque normalmente nesses períodos de interrupção os jardins-de-infância quase não têm crianças. Segundo um levantamento que fizemos, chegam a ser só duas ou três», sublinhou.
Mário Nogueira indicou ainda que a petição, que recolheu até hoje à tarde quase cinco mil assinaturas, será entregue na terça-feira ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que recebe a federação em audiência.
O calendário escolar relativo ao próximo ano lectivo ainda não foi negociado com os sindicatos.

Domingo, 16 de Maio de 2010

Câmara Municipal da Marinha Grande reconhece os 50 anos de carreira de NORBERTO BARROCA


O encenador marinhense Norberto Barroca foi homenageado pela Câmara Municipal da Marinha Grande no dia 15 de Maio, pelas 17h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, no âmbito das comemorações do Feriado Municipal (13 de Maio), que decorrem no concelho de 7 a 16 de Maio.
A iniciativa tem como objectivo evocar a carreira do encenador e reconhecer publicamente o contributo do artista para a dignificação do teatro a nível local e nacional. A cerimónia contou com a presença de amigos do homenageado e figuras ilustres da cultura nacional, Estiveram presentes Ruy de Carvalho, Laura Sorveral, entre muitos que lhe quiseram estar presentes.
No âmbito da homenagem realizou-se um jantar dedicado a Norberto Barroca, nas instalações do Sport Operário Marinhense (SOM), sob organização daquela instituição com a colaboração da Câmara Municipal.

Biografia de Norberto Barroca
Norberto Barroca nasceu na Marinha Grande, onde desde muito pequeno começou a dinamizar os colegas para a realização de espectáculos de teatro. É arquitecto de formação.
Estreou-se profissionalmente em 1960, com o Grupo Fernando Pessoa, dizendo poesia em Portugal, no Brasil, em Angola e em Moçambique. Enquanto encenador estreou-se na Casa da Comédia em 1967, tendo recebido o Prémio de Imprensa em1969 pela encenação de “Fando e Lis” de Arrabal.
Trabalhou em companhias como a Casa da Comédia, T. Estúdio de Lisboa, Emp. Vasco Morgado, Companhia Nacional de Teatro (Teatro S. Luís, de que foi director), A Centelha (Viseu), Novo Grupo (T. Aberto), 1º Acto (Algés), T. Nacional D. Maria II, T. Maria Matos, Casino Estoril, A Barraca, T. ABC e T. Maria Vitória; no Porto, com a Seiva Trupe e Teatro Experimental do Porto, do qual foi Director Artístico de 1998 até Dezembro de 2009.
Na Marinha Grande, encenou diversos trabalhos para o Grupo de Teatro do Operário, foi autor de “A Soprar se vai ao longe!” e de uma adaptação musical de “O Fidalgo Aprendiz”. Para a Câmara Municipal escreveu a reconstituição da revolta do 18 de Janeiro – “O 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande - Movimento Revolucionário dos Vidreiros”, "Uma Obragem do Séc. XVIII” e a peça “Marquês de Pombal - o Rei do Rei D. José”.
No cinema teve participações como actor em filmes de Jorge Silva Melo e foi autor do argumento de “Passagem por Lisboa”, de Wim Wenders (1994).
Como prima do Norberto dou-lhe os Parabéns e agradeço profundamente o que fez pelo Teatro.
Como Prima e Marinhense, agora que ele se retirou da azáfama diária de Director do Teatro Experimental do Porto e voltou à sua terra Natal, desejo-lhe as maiores felicidades para esta nova etapa da sua vida.

Um grande beijo Norberto!

Deixo-te aqui uma música de uma miúda da nossa terra.




Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

PATA NEGRA À PRESIDÊNCIA!!!!





Assine a Petição Aqui e acompanhe os desenvolvimentos Aqui

Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

AS AGRESSÕES QUE IGNORAMOS








Violência doméstica nos dias de hoje

Muitas vezes, somos vítimas de agressões que nem sempre nos damos conta e que com muita frequência acontecem entre pais e filhos, famílias, casais, pessoas que se amam, enfim, nas relações quotidianas. Muitas delas causam-nos culpa, doenças, conflitos. Parece difícil perceber essas agressões e, principalmente, os ferimentos que causam, pois em geral só é enfatizada a violência física e explícita. As agressões silenciosas nem sempre deixam marcas externas, físicas e visíveis, mas conseguem deixar marcas eternas.

A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente. A violência doméstica não é só entre conjugues. O conceito de violência doméstica aplica-se a todos os casos quer de agressão física quer psicológica a vítimas que co-habitem com o agressor ou familiares.

A agressão física é o uso da força com o objectivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. São comuns murros e "chapadas", agressões com diversos objectos e queimaduras por objectos ou líquidos quentes.

A agressão psicológica, às vezes tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada pela rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes que perduram para toda a vida. Podemos ainda incluir neste grupo, situações em que o agressor faz a outra pessoa sentir-se inferior, dependente, culpado ou omisso. A pior atitude com este objectivo é quando o agressor faz tudo correctamente, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho da sua incompetência. O agressor com este tipo de atitude tem prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente. A violência verbal, na maioria dos casos existe concomitantemente com a violência psicológica.

A violência doméstica tem um ciclo que pode ser dividido em três fases:

1ª Fase: Momento de tensão: as tensões quotidianas acumuladas pelo agressor/a que este/a, não sabe ou consegue resolver, criam um ambiente de perigo eminente para a vítima que é muitas vezes, culpabilizada por tais tensões. Sob qualquer pretexto o agressor/a, direcciona todas as suas tensões sobre a vítima. E os pretextos podem ser muito simples como por exemplo, acusar a vítima de não ter cozinhado, ou cozinhado com sal a mais, de ter chegado tarde a casa ou a um encontro, de ter amantes, etc.

2ª Fase: Ataque violento: o/a agressor/a maltrata física e psicologicamente a vítima (homem ou mulher), que procura defender-se, esperando que o/a agressor/a pare e não avance com mais violência. Este ataque pode ser de grande intensidade, podendo a vítima por vezes ficar em estado bastante grave, necessitando de tratamento médico, ao qual o agressor/a nem sempre lhe dá acesso imediato.

3ª Fase: Fase de apaziguamento: o/a agressor/a, depois da tensão ter sido direccionada sobre a vítima, manifesta-lhe arrependimento e promete que não vai voltar a ser violento/a. Pode invocar motivos para que a vítima desculpabilize o comportamento violento, como por exemplo: ter corrido mal o dia, ter-se embriagado ou consumido drogas; pode ainda invocar o comportamento da vítima como motivo para o seu descontrolo. Para reforçar o seu pedido de desculpas, pode tratá-lo(a) com delicadeza... fazendo-a(o) acreditar que, de facto, foi essa a última vez que ele/a se descontrolou.

Este ciclo é vivido pela vítima, numa constante esperança, medo e amor. Medo, em virtude da violência de que é alvo; esperança, porque acredita no arrependimento e nos pedidos de desculpa que têm lugar depois da violência; amor, porque apesar da violência, podem existir momentos positivos no relacionamento.

* A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) contabilizou no ano de 2009, 18.669 crimes, dos quais 90% se referem a casos de violência doméstica.

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